Augusta Faro Fleury de Melo
Renata Normanha nos presenteia com um livro de poemas impregnados de questionamentos insolúveis, tocados pela imensa emoção, envolvidos por uma sensibilidade profunda e reflexiva.
É seu primeiro livro de poesias e mostra maturidade poética intensa. Renata percorre os labirintos da condição humana e, por isso, permanecerá independentemente de modas e modismos.
O presente momento veio para marcar sua trajetória literária.
É um livro intimista, forte, lírico e, por que não dizer? Profundamente triste. É a tristeza que habita em todos os seres que meditam e refletem sobre a vida e seus meandros, artifícios, sendas, coerências, incoerências e tudo mais.
Para ilustrar, alguns tópicos que nos demonstram o profundo mergulho de Renata no Ser e em suas nuances existenciais. Vejamos: [ ...] Pássaro de felicidade / onde está seu canto / que oculta meu pranto?[...]sua beleza é minha prece [...] cante o canto de cada dia,/faça do meu mundo sua moradia [... ] o desejo de amar a quietude da morte [...] Há quanto tempo não descanso [...]Não desfaça a harmonia, / deste coração cheio de mania [...]Levar a vida um pouco sem jeito [...]Ambos éramos apenas caminhantes / figuras estranhas no espelho da vida [...]Estou indo, chego antes do entardecer[...]sua hora chegou [...]Ando deixando de lado o mundo, quero perder o caminho [...] não atraso, não demoro, não conheço/ morrer para a vida / e viver para a morte [..] .Sentir tudo e não sentir nada [...] onde andarão aqueles que vieram e partiram sem dizer adeus?[...] seja lá como for, / eu mesma andei, andei e não cheguei [...] A vida veio de mansinho / e me levou para longe [...]e no turbilhão de meus pensamentos guardar minha loucura [...] Lá se vão todos / carregando seus fardos e seus pertences caminhando na própria lentidão [...] algemas do desespero e da insegurança prenderam a essência do meu existir [...] Vou morrendo lentamente com a vida [...] e me pergunto onde foi que me perdi [...]Das verdades que foram ditas percebi, sem querer e sem vontade que eram mentiras disfarçadas [...] torno-me sentinela inflexível das minhas noites de insônia [...]nos secretos lugares de minha memória / a presença de um fugaz e efêmero instante [...]onde ficou minha vida? [...]
Senhora e dona da poesia, Renata nos envolve em seus poemas plenos de ritmos, sustos, surpresas, reflexões, angústias e verdades profundas - isso porque Renata vela e desvela o Ser e o Existir nesse mundo, onde todos nós navegamos sem rumo e sem bússola.
Há muita filosofia rondando cada poema, mas o poeta não é um filósofo?
Herdando do pai, Dr. Normanha, talentoso, estudioso da mais alta filosofia, ele próprio um filosofo mestre - Renata dedilha em cada cântico, um mundo submerso de emoções que vindo à tona nos encanta e nos faz seres reflexivos diante das horas de cada dia, do dia de cada tempo, do tempo de cada jornada.