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Outubro 2010
Vozes Interiores

Augusta Faro Fleury de Melo

Renata Normanha nos presenteia com um livro de poemas impregnados de questionamentos insolúveis, tocados pela imensa emoção, envolvidos por uma sensibilidade profunda e reflexiva.
É seu primeiro livro de poesias e mostra maturidade poética intensa. Renata percorre os labirintos da condição humana e, por isso, permanecerá independentemente de modas e modismos.
O presente momento veio para marcar sua trajetória literária.
É um livro intimista, forte, lírico e, por que não dizer? Profundamente triste. É a tristeza que habita em todos os seres que meditam e refletem sobre a vida e seus meandros, artifícios, sendas, coerências, incoerências e tudo mais.
Para ilustrar, alguns tópicos que nos demonstram o profundo mergulho de Renata no Ser e em suas nuances existenciais. Vejamos: [ ...] Pássaro de felicidade / onde está seu canto / que oculta meu pranto?[...]sua beleza é minha prece [...] cante o canto de cada dia,/faça do meu mundo sua moradia [... ] o desejo de amar a quietude da morte [...] Há quanto tempo não descanso [...]Não desfaça a harmonia, / deste coração cheio de mania [...]Levar a vida um pouco sem jeito [...]Ambos éramos apenas caminhantes / figuras estranhas no espelho da vida [...]Estou indo, chego antes do entardecer[...]sua hora chegou [...]Ando deixando de lado o mundo, quero perder o caminho [...] não atraso, não demoro, não conheço/ morrer para a vida / e viver para a morte [..] .Sentir tudo e não sentir nada [...] onde andarão aqueles que vieram e partiram sem dizer adeus?[...] seja lá como for, / eu mesma andei, andei e não cheguei [...] A vida veio de mansinho / e me levou para longe [...]e no turbilhão de meus pensamentos guardar minha loucura [...] Lá se vão todos / carregando seus fardos e seus pertences caminhando na própria lentidão [...] algemas do desespero e da insegurança prenderam a essência do meu existir [...]  Vou morrendo lentamente com a vida [...] e me pergunto onde foi que me perdi [...]Das verdades que foram ditas percebi, sem querer e sem vontade que eram mentiras disfarçadas [...] torno-me sentinela inflexível das minhas noites de insônia [...]nos secretos lugares de minha memória / a presença de um fugaz e efêmero instante [...]onde ficou minha vida? [...]
Senhora e dona da poesia, Renata nos envolve em seus poemas plenos de ritmos, sustos, surpresas, reflexões, angústias e verdades profundas - isso porque Renata vela e desvela o Ser e o Existir nesse mundo, onde todos nós navegamos sem rumo e sem bússola.
Há muita filosofia rondando cada poema, mas o poeta não é um filósofo?
Herdando do pai, Dr. Normanha, talentoso, estudioso da mais alta filosofia, ele próprio um filosofo mestre - Renata dedilha em cada cântico, um mundo submerso de emoções que vindo à tona nos encanta e nos faz seres reflexivos diante das horas de cada dia, do dia de cada tempo, do tempo de cada jornada.

 

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